Padd Solutions

Converted by Falcon Hive

Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livros. Mostrar todas as mensagens

Queimada Viva

sábado, janeiro 03, 2009 9 comentários

"Queimada Viva" é a história de uma adolescente que vivia numa aldeia da Cisjordânia, onde o amor antes do casamento era sinónimo de morte. Tendo ficado grávida, o cunhado é encarregado de executar a sua sentença: chegar-lhe fogo. Souad, nome fictício, sobrevive por milagre e hoje, muito tempo depois, conta o seu testemunho, em nome de milhares de mulheres que continuam a morrer por uma tradição que ainda não prescreveu.

De fácil leitura, este livro traz-nos o retrato da mulher tratada como mercadoria. Até os carneiros e as cabras eram mais valiosos do que as mulheres daquela casa. Elas deviam trabalhar, até que um homem se interessasse por alguma delas e quisesse casar, mesmo assim, os casamentos tinham que ser feitos da mais velha para a mais nova.

Souad tinha duas irmãs mais velhas, uma delas já casada. A outra, no entanto, continuava sem ser requisitada. Estava apaixonada mas tinha que esperar pelo casamento da irmã. Seria uma vergonha se ela se casasse antes. O seu maior sonho era casar, queria ter liberdade para se pintar ou calçar sapatos. O amor que sentia por Faiez e o medo de o perder, permitiram que o deixasse ir mais além, num dos seus encontros secretos. Há coisas que são universais e o rapaz lá lhe conseguiu dar a volta. Engravida. Faiez abandona-a com o seu filho no ventre. E então, começa o apogeu desta história, se assim se pode dizer. A família foi desonrada e têm que matar Souad para limpar a sua honra na aldeia. O cunhado, Hussein, encarrega-se disso, rega-a com gasolina e chega-lhe fogo.

Por milagre, ela sobrevive. No hospital, não é tratada. Não podem porque ela desonrou a família. Esta era a linha de pensamento daquelas pessoas, cruel e desumana. Souad estava condenada à morte. Felizmente, foi ajudada por uma Organização Não-Governamental (Surgir); Jacqueline comoveu-se com a sua história e conseguiu levá-la para a Suíça, onde foi tratada.

Hoje, algures na Europa, com a sua vida reconstruída, Souad conta o seu testemunho, em nome de milhares de mulheres que continuam a ser mortas desta maneira, porque "desonram a família". Um relato difícil, por ser uma vida que ela tenta esquecer, mas necessário para tentar abrir os olhos de muita gente. Uma denúncia contra este acto cruel, contra estas pessoas nojentas que decidem a morte de mulheres inocentes, contra estas crenças do Islamismo.

E talvez as guerras que assolam aqueles países sejam castigo divino, castigo por causa de atrocidades como estas. Quanto a mim, têm um crítico feroz contra estas práticas, contra barbaridades desta dimensão, por causas que não o justificam.

Aconselho!